25 de setembro de 2022
Cultura Notícias

Homenagens de cartunistas ao criador de Mafalda reforçam sensibilidade estimulada pela arte

Por Leilane Stauffer

No último dia 30 de setembro, leitores de todo o mundo perderam o argentino Joaquín Salvador Lavado Tejón, mais conhecido como Quino. Responsável por criar a personagem Mafalda, Quino partiu um dia após sua criação mais popular ter completado 56 anos, desde a primeira divulgação de Mafalda, na revista Primera Plana. A personagem, conhecida por ser sagaz, questionadora, e inconformada com problemas sociais, protagonizou histórias dos quadrinhos latino-americanos de 1964 a 1973 e fez parte da formação crítica de diversas gerações. Como resposta diante da perda, colegas cartunistas homenagearam Quino com desenhos inspiradores, ocupando um movimento nas redes sociais cheio de humanidade. 

O conterrâneo quadrinista argentino Liniers, autor das tirinhas “Macanudo”, ilustrou a homenagem com sua famosa personagem Enriqueta abraçando Mafalda.

O argentino Miguel Rep, que contou com o apoio de Quino no início da carreira, simbolizou o colega fazendo referência ao personagem Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry. Na imagem, a frase: o verdadeiro Pequeno Príncipe era Quino.

 Entre os artistas brasileiros que participaram do movimento, Alexandre Beck, criador do personagem Armandinho, uma criança também questionadora e inconformada com injustiças sociais, postou uma ilustração com os dois personagens tristes e próximos. 

Mauricio de Souza, pai da Turma da Mônica, homenageou o argentino com um encontro solidário entre Mônica e Mafalda, criadas no mesmo ano de 1963. 

O cartunista e sociólogo Toni D’Agostinho ilustrou Quino com mensagem sobre o legado histórico e cultural da personagem. 

O brasileiro Carlos Latuff também reforçou a herança social, política e humana deixada pelo cartunista. 

Para o professor dos cursos de Comunicação e Psicologia da Newton, Homero Nunes, Quino é símbolo de tantos quadrinistas que desenvolvem papel fundamental na formação intelectual e humana dos cidadãos.  

“A arte é fruto da sensibilidade humana e também um estímulo a ela. O artista pode dar vazão às suas emoções, ao que pensa da vida e do mundo por meio de sua arte e, ao fazer isso, cria obras que nos aguçam as emoções e movimentam os nossos próprios pensamentos sobre as coisas. Quino foi um genial cartunista que produziu ideias em seus desenhos, um humor ácido carregado de crítica social, de personagens questionadores e de profunda sensibilidade sobre as relações humanas. Certamente, Mafalda foi sua personagem mais famosa, sensacional, mas Quino produziu tirinhas sobre diversas perspectivas, influenciou uma geração de novos cartunistas, transformou tirinhas de jornais e revista em meios de arte e filosofia, de crítica e sensibilidade”, pontua. 

Jornalista, mestre em sociologia e responsável pelo Mundo Newton, o professor observa como as tiras são produções incríveis capazes de alcançar diferentes gerações, por décadas. “O humor característico de quadrinhos, tiras, cartoons, charges é uma forma de suavizar a crítica, de colocar as coisas em discussão com leveza e inteligência. Um meio de alcance gigantesco, pela capacidade de atingir pessoas de diferentes camadas sociais e, muitas vezes, de permanecer no tempo e chegar às gerações seguintes. Quino foi mestre nisso. Suas tirinhas ainda fazem pensar as gerações atuais, em muitos países, mesmo décadas após as publicações originais. A Mafalda parou de receber novas histórias nos anos 70 do século XX, imagina! Ainda hoje ela diverte muita gente, traduzida em muitas línguas mundo afora.” 

E você? O achou do movimento nas redes sociais em homenagem ao cartunista argentino? E o que você mais curte no universo dos quadrinhos? Conte pra gente!