23 de fevereiro de 2024
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Regulamentação da IA: por que é tão importante? Professora da Newton comenta o tema

De acordo com o estudo “Avanços na cultura organizacional baseada em dados, analytics e IA”, do SAS, feito pelo IDC, o Brasil é o país que mais utiliza inteligência artificial (IA) na América Latina. Por conta do crescimento extremo do uso no mundo todo, devido ao seu potencial ilimitado, a União Europeia aprovou recentemente um projeto pioneiro que regulamenta o uso de inteligência artificial.  Mas qual é a importância da aplicação dessas regras?

Segundo Michelle Hanne, professora da área de TI do Centro Universitário Newton Paiva, a IA já está sendo empregada em diversos setores. No entanto, tem potencial para a ampliação, dependendo apenas da imaginação e capacidade humana e, por isso, necessita de um estatuto. “A preocupação envolve a atribuição de responsabilidades – auditorias e design de sistemas – e não necessariamente na limitação de suas aplicações”, explica Michelle. Um exemplo é o uso de carros sem motoristas nos Estados Unidos, que podem se envolver em acidentes. “Alguns questionamentos estão relacionados à segurança desses veículos e as vulnerabilidades sobre ataques intencionais”, adiciona.

Outro assunto polêmico é o reconhecimento facial, que pode auxiliar as forças de segurança na identificação de criminosos. “Porém, também pode gerar falsos alertas, envolver discriminação e preconceitos, podendo ser utilizada como vigilância por governos”, explica Michelle. Além disso, as fake news se tornaram muito populares nos últimos anos por conta da IA. “É possível manipular imagens, áudios e vídeos de forma que não somos capazes de identificar se é ou não falso. Isso pode impactar situações como eleições, propagação de epidemias, entre outros”, continua a professora.

A Regulamentação deve ser realizada por meio de Leis que tenham âmbito nacional, ou seja, aplicadas uniformemente a todo o país. A peça central no projeto da União Europeia é um processo de certificação de IA para fabricantes e operadores. “Além disso, uma vez que os impactos e o potencial dessa tecnologia são desconhecidos, a legislação deve ser baseada em princípios. Assim, deve ser preservada a dignidade humana, garantidos empregos, inviolabilidade da honra, dentre outros”, comenta Michelle.

Os riscos e benefícios da Inteligência Artificial

A IA possui lados positivos e negativos bastante extenso, por isso a regulamentação torna-se tão importante. Essa tecnologia pode melhorar significativamente a qualidade de vida dos seres humanos, bem como ampliar exponencialmente seus conhecimentos. “Uma boa analogia é sobre como um trabalho escolar era realizado antigamente, quando o aluno tinha que ir a uma biblioteca, procurar livros, fazer uma leitura e busca demorada e tirar xerox das páginas necessárias. Hoje, todo esse conhecimento está nas palmas das mãos.”, explica Michelle.  

Em outros ramos, com algoritmos preditivos e testes automatizados, pode-se diminuir consideravelmente gastos, tempo e mão de obra, permitindo a entrega de produtos industrializados mais modernos e baratos, ou, na agropecuária, permitir uma safra perene e produtiva durante todo o ano.” É tarefa difícil pormenorizar os benefícios que a IA irá nos trazer, portanto, cabe ao ser humano apenas fazer bom uso dessa ferramenta”, aconselha.

Em contrapartida, os riscos do uso da inteligência artificial são muito preocupantes. O desemprego e a dependência tecnológica geral são apenas alguns. “Sistemas interligados com IA, como o setor aéreo, podem sofrer ataques e com isso gerar uma falha geral, ocasionando pânico e caos”, adverte Michelle. O governo também pode intervir na sociedade para ter o controle por meio de câmeras e aplicativos, assim como impor restrições para impedir avanços tecnológicos. “Outro problema é a possibilidade de as novas tecnologias serem utilizadas para guerras e conflitos”, finaliza Michelle.

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