25 de setembro de 2022
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A #OscarsSoWhite mudou a Academia: entenda as mudanças que trarão mais diversidade para o Oscar

Por Ítalo Mendes

Já estamos a caminho do quinto ano em que a hashtag #OscarsSoWhite ronda a premiação mais cobiçada do cinema. O Oscar, prêmio concedido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, fundada em 1927 em Los Angeles, recebeu um conjunto de críticas nos últimos anos sobre o pequeno número de indicados e membros pertencentes a grupos minoritários, como negros, mulheres,  latinos, LGBTQ+ e deficientes.

As críticas ganham força quando avaliamos o retrospecto. Só em 2002 tivemos Halle Berry como a primeira mulher negra a ser premiada na categoria de Melhor Atriz, pela atuação no filme A Última Ceia. E apenas em 2014 o primeiro negro foi contemplado na categoria de Melhor Direção; Steve McQueen, pelo projeto 12 anos de escravidão.

A polêmica ganhou força no início de 2016, após a lista de indicados, divulgada em 14 de janeiro, ter seguido o caminho de pouca representatividade do ano anterior. O ano de 2015 ficou marcado pela pouca visibilidade dada ao longa Selma, esnobado em diversas categorias, apesar da avaliação destacadamente positiva de diversos críticos pelo mundo, que acabou vencendo apenas como melhor canção original. Portanto, para muitos, o ano seguinte foi a gota d’água, incluindo a decisão de grandes nomes da indústria que se recusaram a estarem presentes na premiação, como o diretor Spike Lee. Novamente, nenhum dos indicados nas categorias de atuação pertenciam aos grupos minoritários, mesmo com nomes consideráveis no páreo, como Michael B. Jordan, por Creed: Nascido para Lutar, Idris Elba, por Beasts of no Nation ou vários dos astros de Straight Outta Compton: A História do N.W.A, longa que conta parte da história da grupo americano de hip hop e que tem o elenco predominantemente negro.

Foi então que, no mesmo ano, a Academia prometeu dobrar até 2020 o número de membros mulheres e de outros grupos que representassem a diversidade, além de retirar o direito de voto daqueles que estavam inativos na indústria do cinema nos 10 anos anteriores.

De lá pra cá, a instituição mudou alguns dos seus números:

  • O percentual de mulheres incluídas passou de 25% para 33%;
  • Foram admitidos 819 votantes nascidos em 68 países diferentes;
  • O número de membros não brancos foi de 10% para 19%.

Além disso, mesmo com algumas críticas consideráveis, como a indicação de apenas homens para a categoria de direção em 2020, alguns fatos e prêmios concedidos nos últimos anos se destacam.

  • Mahershala Ali levou a estatueta como Melhor Ator Coadjuvante em 2017, por Moonlight, que também ganhou como melhor filme, e em 2019, por Green Book;
Frazer Harrison, Getty Images
  • Jordan Peele por Corra!, em 2018, foi o primeiro negro a ganhar como Melhor Roteiro Original;
Frederic J. Brown/Getty Images
  • Daniela Vega, também em 2018, protagonista em Uma Mulher Fantástica, foi a primeira pessoa transexual a ser apresentadora na cerimônia;
Patrick T. Fallon for The New York Times
  • O longa mexicano Roma, em 2019, foi indicado em 10 categorias e ganhou quatro;
  • O filme de super-herói Pantera Negra, indicado a sete categorias, venceu quatro delas. Com destaque para Ruth E. Carter, primeira mulher negra a vencer na categoria de Melhor Figurino.
Getty Images
  • O sul-coreano Parasita venceu quatro estatuetas, entre elas a de Melhor Filme, tornando-se a primeira produção não falada em língua inglesa a vencer nessa categoria.

Após esses e outros destaques, finalmente, a Academia veio a público para listar uma série de medidas que serão critérios para que os filmes se tornem elegíveis para o prêmio. De acordo com o texto publicado no site da Academia:

“Os governadores da academia, DeVon Franklin e Jim Gianopulos, chefiaram uma força-tarefa para desenvolver os padrões criados a partir de um modelo inspirado nos Padrões de Diversidade do British Film Institute (BFI) usados ​​para determinadas qualificações de financiamento no Reino Unido e em algumas categorias da British Academy of Film and Television Arts (BAFTA), mas foram adaptados para atender às necessidades específicas da Academia. A Academia também consultou o Producers Guild of America (PGA), como faz atualmente para elegibilidade ao Oscar.”

Com essa proposta, para o Oscar de 2022 e 2023 será necessário que os responsáveis pelo cadastro dos filmes enviem um formulário confidencial dos Padrões de Inclusão da Academia para ser considerado Melhor Filme. De 2024 para os anos seguintes virá a obrigatoriedade de que os filmes atendam pelo menos dois dos quatro padrões abaixo para se tornar elegível.

  1. Ter membros de grupos sub-representados em papéis de protagonista ou coadjuvantes ou 30% do elenco composto por estes mesmos grupos;
  1. Pelo menos 30% da equipe do filme preenchidos por minorias ou pelo menos 2 pessoas em cargos de liderança pré-determinados;
  1. Oferecer oportunidades de estágios pagos ou treinamentos para grupos sub-representados em seus estúdios ou distribuidoras;
  1. Ter a mesma representatividade relacionada acima em marketing, publicidade e distribuição dos filmes.

Conheça os critérios completo, acessando o site da Academia e acompanhe mais sobre o universo cultural e diversos outros assuntos aqui no Blog da Newton.

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