25 de setembro de 2022
Cultura Notícias

Não é impressão sua, jornal pode afetar sua saúde mental sim!

Por Fernanda Nazaré

Há cerca de um ano e meio estamos sendo bombardeados com notícias sobre a pandemia do coronavírus, atualização do número de mortos, avanços científicos na criação de vacinas e, no meio de tudo isso, muita fake news – seja para alimentar falsas esperanças ou causar pânico coletivo.

Como dizem alguns memes da internet, “o Brasil não é para amadores”. Sim, ainda mais se você acompanha o noticiário diariamente. Já foi estudado que a quantidade e o tipo de notícia que se consome pode afetar sua saúde mental.

Para mostrar o quanto isso tem chamado a atenção, até o pessoal do Porta dos Fundos fez um vídeo sobre isso: “Doente de Brasil” – https://www.youtube.com/watch?v=Lu39Ltm60s4

Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Irvine, avaliaram a saúde mental de 5 mil pessoas, em 2013. Naquele ano houve um ataque com bombas na Maratona de Boston, e imagens chocantes do atentado circularam amplamente no mundo – e principalmente nos noticiários locais.

Entre os voluntários do estudo havia pessoas que vivenciaram o ataque, que conheciam as vítimas e também que não estiveram presentes fisicamente, mas acompanharam tudo pelos jornais. Embora quem testemunhou o ataque tenha sofrido consequências psicológicas, o trauma emocional foi menor do que o observado entre os que não estavam ali, mas consumiram muitas horas de cobertura jornalística nas semanas seguintes.

De acordo com a autora da pesquisa, “quando você vê repetidamente imagens de uma pessoa com ferimentos graves após o término de um evento, é como se ele continuasse e tivesse sua própria presença em sua vida. A exposição prolongada à mídia pode transformar o que foi uma experiência aguda em uma forma crônica de estresse”, explica.

NO LIMITE

Durante o experimento, quem foi exposto a seis ou mais horas por dia era nove vezes mais propenso a desenvolver estresse agudo do que aqueles com exposição menor que uma hora diária. Pode parecer muito tempo de exposição, mas considere todas as vezes que você acessa redes sociais, aplicativos de mensagens, deixa o rádio ou a TV ligada no ambiente enquanto faz outra atividade. Agora seis horas não parecem algo muito distante de alcançar, não é?

A tristeza, o desânimo e o estresse causados por consumir notícias negativas não foram os únicos efeitos colaterais percebidos, mas alterações físicas como hipertensão arterial, alterações no sono e no apetite e aumento do colesterol e do açúcar no sangue foram notáveis.

EFEITO REVERSO

Nem só de tragédia vive o jornalismo. Ainda bem! Nossa saúde mental agradece. Um outro estudo, dessa vez feito pela Universidade de Southampton, no Reino Unido, descobriu que matérias jornalísticas com uma abordagem positiva ou construtiva geram motivação para realizar boas ações (como fazer doações a instituições de caridade ou cuidar do meio ambiente, por exemplo). Já as notícias negativas ou com abordagens catastróficas reduziram as intenções de tomar medidas para combater os problemas.

Assim como acompanhar muita notícias ruins pode causar até danos físicos, consumir notícias boas também impacta de forma proporcionalmente reversa. De acordo com a pesquisadora de psicologia positiva, Jodie Jackson, da Universidade de East London, ao expor pessoas à boas notícias em seu experimento (2016), isso fez com que elas afirmassem ter criado um sentimento de admiração pelo próximo e a restaurar sua fé na humanidade.

O trabalho revelou também uma diminuição da ansiedade e melhora no bem-estar e no sentimento de autoeficácia – a crença das pessoas em sua própria capacidade de fazer a diferença no mundo.

Como já disse o historiador e professor Leandro Karnal, figurinha carimbada nas redes sociais: “É no conhecimento que existe a chance de libertação. Uma pessoa que decide não conhecer, aceita sua condição de escravo, aceita sua condição de submissão; conhecer é a condição para eu me libertar de mim mesmo e das amarras sociais”. Mantenha-se informado e tenha equilíbrio quanto ao teor das notícias que consome, afinal ter saúde mental também é fundamental para ter uma boa interpretação dos fatos.

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