25 de setembro de 2022
Carreira Notícias Tecnologia

Quem não gosta de matemática pode fazer engenharia?

Por Luciana d’Anunciação

Uma dúvida bastante comum para quem tem interesse em fazer alguma graduação da área de engenharia: quem não gosta de matemática pode cursar engenharia? A necessidade de utilizar constantemente cálculos matemáticos durante o curso e na prática da profissão pode afastar alguns interessados pelas engenharias.

A relevância da matemática, na grade curricular da graduação, não deve ser um empecilho para quem pretende construir a carreira na área. É o que destaca Luiz Flávio Vieira Brant, coordenador do curso de graduação em Engenharia Mecânica da Newton e professor nas disciplinas de Projetos de Sistemas Mecânicos e Teoria de Vibrações.

O docente, graduado em Engenharia Mecânica com ênfase em Mecatrônica e mestre em Engenharia Mecânica, explica em conversa com o Newton Carreiras estratégias para superar possíveis dificuldades em disciplinas relacionadas à matemática. O professor compartilha também as principais habilidades e competências desenvolvidas nos cursos de engenharia, os desafios profissionais para os futuros engenheiros e aponta as áreas mais promissoras da engenharia na atualidade.

Newton Carreiras: Quem não gosta de matemática pode fazer engenharia?

Luiz Flávio Vieira Brant: Acredito que sim. Quem não gosta de matemática no ensino fundamental e médio pode aprender a gostar durante o curso de Engenharia. O motivo é bastante simples: na Engenharia aprende-se uma nova matemática, com aplicação prática. Tudo fica mais atraente quando vislumbramos uma aplicação, uma maneira de usar aquele aprendizado a nosso favor. Quando o estudante percebe que aquele conhecimento de limites e derivadas (conteúdo da disciplina de Cálculo I) pode lhe ajudar a resolver problemas do cotidiano, o estudo torna-se mais prazeroso e consequentemente mais fácil.

NC: Que estratégias utilizar para superar possíveis dificuldades em disciplinas como geometria analítica e descritiva, cálculo vetorial, física avançada e estatística?

LB: Primeiro de tudo é acreditar na própria capacidade. Ouvimos tanto dizer que estas disciplinas são dificílimas, que acabamos nos convencendo de que é inviável ser aprovado nelas, e assim nos deixamos desanimar. Não dê ouvidos aos pessimistas e preguiçosos. Confie na sua competência.

Outro ponto muito importante é o autoconhecimento, ou seja, cada pessoa tem sua melhor maneira de aprender. Muitos gostam de estudar sozinhos, outros preferem os estudos em grupos. Muitos gostam dos livros, outros preferem vídeos no YouTube. O NAPp – Núcleo de Apoio Psicopedagógico da Newton – tem ajudado muitos alunos a encontrarem sua melhor forma de aprendizagem. Também temos tido excelentes resultados com grupos de estudo. As trocas de conhecimentos e experiências que ocorrem nestes grupos auxiliam muitos alunos a superarem suas dificuldades.

Mas o mais importante é a disciplina e a dedicação aos estudos. Não há fórmula mágica. Sem reservar algumas horas, todos os dias, para estudar, é impossível adquirir conhecimento.

NC: Qual é o perfil médio do estudante de engenharia?

LB: Vejo basicamente dois perfis de alunos que convivem na faculdade de Engenharia. Muitos estudantes já tem um curso técnico na área e procuram o curso superior como uma evolução natural da sua carreira. Trazem consigo uma boa experiência prática, mas buscam maior conhecimento teórico e competências mais amplas. O outro perfil de estudantes vem direto do ensino médio, motivado pelo gosto por tecnologia e inovação, ou simplesmente pela afinidade com disciplinas da área de exatas, como a matemática, a física e a química.

NC: Quais as principais habilidades e competências são desenvolvidas nos cursos de engenharia da Newton?

LB: O engenheiro é o profissional que cria, aprimora, instala, opera e mantém as tecnologias. E como sabemos, estas tecnologias se alteram cada vez mais rapidamente. A principal habilidade que deve ser desenvolvida pelo estudante durante o curso de engenharia é aprender a aprender. Ao longo da carreira, o engenheiro terá frequentemente contato com algo novo, tecnologicamente avançado, e aprender a lidar com as inovações de maneira autônoma e independente é a habilidade que o profissional deve se preocupar em adquirir. Quanto às competências, não há dúvida que a resolução de problemas é a principal função do engenheiro. Ele deve ser preparado para encontrar as melhores alternativas possíveis para a solução dos mais variados problemas. Não à toa, profissionais de engenharia estão sendo demandados em outros setores como mercado financeiro, medicina e tecnologia da informação.

NC: Quais os maiores desafios profissionais para os futuros engenheiros?

LB: Estamos entrando em uma nova etapa, a que os economistas estão denominando Economia 4.0. Neste cenário, tecnologias como a Inteligência Artificial, a Internet das Coisas, o Big Data, dentre outras, irão transformar a forma como os seres humanos consomem e interagem entre si. É importante para o profissional de engenharia se adequar a esta nova realidade, tornando-se protagonista nesta revolução. É fundamental que o profissional se recicle, se reinvente, torne-se polivalente, não se limitando a uma única área de atuação.

NC: Que diferenciais um jovem profissional de engenharia deve desenvolver para se destacar no mercado?

LB: Empresários e profissionais de engenharia indicam que as competências comportamentais, as chamadas soft skills, são as habilidades mais procuradas no mercado atualmente. Saber lidar e respeitar as diferenças, ser capaz de liderar, conseguir negociar, resolver conflitos são competências a serem desenvolvidas pelos jovens engenheiros. Mas é claro que as competências técnicas, bem como a fluência em uma segunda língua, continuam sendo muito importantes no mercado de trabalho.

NC: Quais as áreas mais promissoras da engenharia na atualidade?

LB: Além das áreas relacionadas à Tecnologia da Informação como a inteligência artificial, análise de dados, percebo grande potencial de crescimento em áreas que integram setores completamente distintos até bem pouco tempo atrás, como a Engenharia Biomédica, Engenharia da Mobilidade e Conectividade, Engenharia do Entretenimento, Engenharia Financeira, dentre outras.

Ficou interessado? Confira os cursos de Engenharia oferecidos pela Newton e veja abaixo a estrutura do laboratório de mecânica da Unidade Buritis em um visão 360º.

https://www.youtube.com/watch?v=s9vsdajfSi4&feature=emb_title